Quase três décadas após a morte de Tupac Shakur, começou em Las Vegas o julgamento de Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, acusado de ter planeado o ataque que matou o rapper norte-americano em 1996.

A acusação sustenta que Davis organizou o tiroteio como acto de vingança depois de Tupac e membros da sua comitiva terem agredido o sobrinho do arguido, Orlando “Baby Lane” Anderson, horas antes, no MGM Grand, após um combate de boxe. Segundo o procurador Binu Palal, Davis não efectuou os disparos, mas terá coordenado o ataque e assegurado a arma utilizada.

Davis declarou-se inocente. A defesa contesta a versão apresentada pela acusação e afirma que as declarações públicas do arguido sobre o caso foram exageradas ou inventadas, questionando também a existência de provas físicas que o liguem directamente ao homicídio.

A acusação pretende apoiar parte do processo em declarações dadas pelo próprio Davis ao longo dos anos, incluindo entrevistas e o livro de memórias “Compton Street Legend”, publicado em 2019. Davis terá descrito a sua presença em Las Vegas na noite do crime e o fornecimento da arma aos homens que seguiam consigo num Cadillac branco.

Tupac Shakur foi atingido por quatro tiros na noite de 7 de Setembro de 1996, quando seguia num BMW conduzido por Marion “Suge” Knight. O rapper morreu seis dias depois, aos 25 anos. Knight sobreviveu ao ataque.

Orlando Anderson, apontado durante anos como possível atirador, morreu num tiroteio em Compton, na Califórnia, em 1998, sem nunca ter sido formalmente acusado pela morte de Tupac.

Davis tornou-se o primeiro homem formalmente acusado pelo homicídio de Tupac Shakur, depois de ter sido detido em 2023. Se for condenado, poderá enfrentar uma pena de prisão perpétua.

O julgamento deverá prolongar-se por várias semanas e poderá incluir testemunhos de antigos agentes policiais, testemunhas civis e outras figuras relacionadas com o caso. O processo representa o mais importante avanço judicial num dos homicídios mais emblemáticos e controversos da história do hip-hop