Um homem que admitiu ter furtado uma viatura no Lobito, província de Benguela, afirmou que decidiu cometer o crime depois de cumprir nove anos de prisão e sair em liberdade sem, segundo as suas declarações, qualquer apoio para a sua reintegração na sociedade.
Em entrevista à imprensa, o cidadão contou que esteve detido no Estabelecimento Penitenciário do Boma, no Moxico, e que deveria ter sido colocado em liberdade em 2024, mas só deixou a cadeia este ano.
Segundo o próprio, foi libertado por volta das 20 horas e regressou à sociedade sem emprego, apoio financeiro ou um enquadramento que lhe permitisse retomar a vida depois de quase uma década privado da liberdade.
“Eu fiquei nove anos, soltam-me às 20 horas, vou para casa. Eu não tenho nenhum enquadramento.”
O homem afirmou que enfrentou dificuldades para se deslocar do Moxico para Luanda e que acabou por chegar ao Lobito, onde encontrou uma viatura a trabalhar no serviço de transporte conhecido como Rolantim.
De acordo com o seu relato, decidiu furtar a viatura com a intenção de a vender e obter dinheiro para procurar uma forma de se estabelecer socialmente.
O entrevistado reconheceu que o furto constituiu um crime, mas aproveitou a entrevista para questionar as condições de reintegração dos cidadãos que deixam os estabelecimentos penitenciários depois de longos períodos de reclusão.
“Quando prendemos um elemento durante nove anos, temos que arranjar uma formação para esse homem”, defendeu, acrescentando que os antigos reclusos deveriam ter acesso a trabalho e outras condições que facilitassem o regresso à sociedade.
A questão levantada pelo entrevistado surge num contexto em que o Serviço Penitenciário dispõe de programas de educação, actividades produtivas e iniciativas de reabilitação nos estabelecimentos prisionais. O próprio Estabelecimento Penitenciário do Boma possui escola, biblioteca, sala de informática, pavilhão de artes e ofícios e áreas destinadas a actividades agrícolas.
Em 2023, por exemplo, a Administração Municipal do Moxico distribuiu materiais didácticos aos reclusos com o objectivo de apoiar a alfabetização e contribuir para a reintegração social.
O homem afirmou ainda que cumpriu pena por um processo relacionado com homicídio voluntário, embora tenha sustentado na entrevista que não matou ninguém e que a condenação esteve relacionada com uma alegada intenção de matar.




